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   Cultivo
 
SISTEMAS DE CULTIVO

(Evely G. Rucatti, in Sabores e Saberes do Arroz, 2007)

A produção de arroz no Brasil ocupa posição de destaque sob os pontos de vista socioeconômico, entre os cultivos anuais. As formas de cultivo são diferenciadas conforme o relevo, os tipos e as condições dos solos, a temperatura, a pluviometria e a tecnologia empregada.

O IBGE registrava em seus levantamentos estatísticos até o ano 2005, cinco modalidades de cultivo no Brasil, sendo mais expressivos o irrigado (62% da produção) e o de sequeiro (37% da produção). As demais formas de cultivo eram arroz de várzea de 1ª safra e 2ª safra, (Região Norte), arroz irrigado de 1ª safra e 2ª safra (Região Nordeste) e arroz de várzea úmida (Nordeste e Sudeste), que somadas representaram apenas 1% do total produzido. Nos levantamentos de dados mais recentes o IBGE já não distingue as formas de cultivo, utilizando a expressão arroz em casca.
A EMBRAPA classifica os sistemas empregados como arroz de terras altas e arroz de várzea, caracterizados como ecossistemas diferenciados. No ecossistema de várzeas, os sistemas de cultivo principais são arroz irrigado por inundação contínua e controlada, com manutenção de lâmina de água até a maturação dos grãos, e arroz de várzea úmida, cultivado em baixadas sem irrigação controlada. Neste ecossistema utiliza-se água da chuva e da enchente dos rios ou afloramento natural do lençol freático. As principais áreas de cultivo em várzeas, irrigadas sob o sistema de inundação, estão nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com aproximadamente 70% do total da área cultivada do País. Outras áreas geográficas de várzeas estão localizadas em alguns Estados do Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, onde são aproveitadas as águas de Rios como o São Francisco e o Parnaíba, na região Nordeste, por exemplo.
O ecossistema de terras altas é cultivado em terrenos mais drenados, principalmente em solos de cerrado e depende exclusivamente das precipitações pluviométricas, fonte de umidade para o desenvolvimento da cultura. Atualmente, o arroz de terras altas nas regiões favorecidas do cerrado, busca consolidação com sistemas de produção de grãos e adaptação ao plantio direto, podendo ser consorciado com pastagem, ter irrigação suplementar e ainda, ser o cultivo para abertura de novas áreas. Em áreas onde há períodos de estiagem, mesmo durante a estação chuvosa, alguns produtores de ponta utilizam a irrigação por aspersão como alternativa para solucionar o problema de veranicos, e garantir estabilidade à produção, podendo ainda aumentar a produtividade e melhorar a qualidade dos grãos.

Com o arroz irrigado por inundação controlada no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, são obtidas as maiores produtividades de lavoura e o grão de maior aceitabilidade no mercado consumidor. No Estado de Santa Catarina, com predominância de lavouras menores do que as do Rio Grande do Sul, o sistema empregado é o pré-germinado, cujas sementes previamente germinadas são semeadas em solo alagado. Neste Estado, a rizipiscicultura (cultivo do arroz com a criação de peixes, na mesma área) é mais difundida, comparativamente às demais regiões brasileiras. As principais vantagens deste sistema se traduzem em maior preservação ambiental, pelo menor uso de agroquímicos (os peixes se alimentam de insetos, parasitas e plantas invasoras) e menor revolvimento do solo, bem como fonte adicional de renda ao produtor com a venda da carne do peixe, resultando em melhor otimização do uso do solo e da água.
No Rio Grande do Sul, cujo sistema de produção de arroz irrigado é de alta tecnologia, emprega-se a irrigação por inundação, com taipas em nível e uma lâmina de água de cerca de 10 centímetros. Ainda na condição de lavouras irrigadas por inundação, os sistemas podem ser diferentes, dependendo do tipo de solo, da presença de plantas invasoras, especialmente arroz vermelho, da preservação ambiental, da maquinaria disponível, do uso da terra (arrendada ou própria) entre outros. No Estado, a área cultivada corresponde às várzeas localizadas na Metade Sul e a predominância é do cultivo mínimo, com menor mobilização do solo. Emprega-se também o sistema pré-germinado; o convencional, que realiza maior número de operações e revolvimento do solo; o plantio direto, cujas sementes são colocadas sem revolvimento do solo e o sistema mix, uma variante do pré germinado. Há também produtores de alta tecnologia que estão fazendo uso da irrigação por aspersão, como tentativa de redução de custos e melhor aproveitamento dos recursos hídricos, com economia substancial de água.
Embora de uso restrito, outra alternativa econômica e técnica empregada em algumas lavouras de arroz, é o controle das pragas e plantas invasoras com a utilização dos marrecos-de-pequim, colocados na lavoura após a germinação do arroz e permanecendo até a época de maturação, período em que comem pragas que atacam o arroz e fazem a limpeza das áreas, diminuindo a necessidade de uso de agroquímicos, além do lucro advindo com a comercialização da carne e dos ovos.

O arroz orgânico, produzido sem o uso de agroquímicos e certificado por instituição reconhecida, está voltado às novas tendências do varejo e atende a um nicho de mercado crescente, principalmente no exterior, agregando valor ao produto final.
As áreas de várzea do Rio Grande do Sul normalmente não se adaptam a outras culturas, devido à dificuldade de drenagem, sendo a integração com a pecuária, a vocação principal da região. Disso resulta a especialização da orizicultura rio-grandense e a alta tecnologia empregada. Neste sentido, as lavouras de arroz tem buscado aplicar as recomendações técnicas geradas pelos resultados das pesquisas e orientadas a tecnologias limpas, com o objetivo de produzir preservando o ambiente e possibilitando atingir a sustentabilidade, ao ser atividade economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente correta.

 
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