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O Arroz

1 – CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO
O arroz é uma gramínea anual classificada no grupo de plantas C-3 adaptada a ambiente aquático. Esta adaptação é devida à presença de um tecido (aerênquima) no colmo da planta, que possibilita a passagem de oxigênio do ar para a camada da rizosfera. Para expressão de seu potencial produtivo, a cultura requer temperatura ao redor de 24 à 30ºC e radiação solar elevada, uma vez que a disponibilidade hídrica não é um fator limitante, devido ao fato da cultura ser cultivada em condições de solo inundado nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Botanicamente o grão de arroz é um fruto, denominado cariopse, em que o pericarpo está fundido com o tegumento da semente propriamente dita. Este está envolvido pela casca (lema e pálea). Na tabela 1 são comparadas as composições químicas dos grãos de arroz, milho, trigo e aveia. Destes cereais, o arroz possui a mais baixa percentagem de proteína e a mais alta percentagem de carboidratos solúveis.
TABELA 1 – COMPOSIÇÃO QUÍMICA E CONTEÚDO VITAMÍNICO DE QUATRO CEREAIS (%)


C0MPONENTE

ARROZ

MILHO

TRIGO

AVEIA


Umidade

12.0

10.6

12.0

8.3


Proteína

7.2

9.4

11.8

14.2


Lipídios

0.6

4.3

1.2

7.4


Cinza

0.5

1.3

0.5

1.9


Fibra

0.6

1.8

0.4

1.2


Carboidratos Solúveis

79.7

74.4

74.5

68.2


Calorias

364.0

361.0

365.0

390.0


Tiamina, mg

0.08

0.43

0.12

0.60


Riboflavina, mg

0.03

0.10

0.07

0.14


Niacina, mg

1.6

1.9

1.4

1.0

Fonte: Bresani (1971).

O ciclo de desenvolvimento do arroz compreende três períodos: vegetativo, reprodutivo, formação e enchimento de grãos. A sua duração é em função da cultivar, época de semeadura, região de cultivo e das condições de fertilidade do solo. O ciclo geralmente está compreendido numa faixa de 100 à 140 dias. A maior parte da variação de ciclo entre cultivares ocorre no período vegetativo.

1.1.PERÍODO VEGETATIVO

O Compreende o período que vai da germinação da semente à diferenciação do primórdio floral. O número de dias da semeadura à emergência depende da temperatura e umidade do solo nos sistema de semeadura em solo seco. Na semeadura em solo inundado (sistema pré-germinado) a duração deste subperíodo é uma função das temperaturas do solo e da água e do grau de desenvolvimento da plântula por ocasião da semeadura.

A emergência da plântula de arroz ocorre devido ao alongamento da estrutura situada entre a semente e o primeiro nó, denominada mesocótilo. A capacidade de desenvolvimento do mesocótilo depende da temperatura do solo, se a água não for fator limitante. Em semeaduras em solo mais frio, a profundidade de semeadura deve ser menor que as realizadas em solos com maior temperatura.No período de 10 à 14 dias após a emergência, a plântula de arroz mantém-se às expensas das reservas presentes no grão. As raízes seminais que se originam da semente, são as responsáveis pela sustentação da plântula durante este período. Este sistema radicular é temporário, pois entra em degeneração logo que começam a surgir as raízes adventícias dos nós do colmo logo abaixo da superfície do solo. Este segundo sistema radicular passa a constituir-se no principal mecanismo de extração de água e nutrientes e de fixação da planta ao solo durante todo o seu ciclo de desenvolvimento.Após o estabelecimento inicial, a planta começa a desenvolver a sua estrutura foliar, formando uma folha em cada nó, de forma alternada no colmo. Durante as primeiras quatro a cinco semanas de desenvolvimento, todas as folhas já estão formadas. O número total de folhas formadas por planta varia com cultivar e época de semeadura.Três à quatro semanas após a emergência, a planta de arroz começa a emitir perfilhos, que surgem do colmo principal numa ordem alternada. Esta capacidade de perfilhamento faz com que o arroz tenha uma resposta elástica à densidade de planta, podendo compensar baixas densidades com maior número de perfilhos emitidos por planta. A capacidade de perfilhamento em arroz depende da cultivar, temperatura do solo, disponibilidade de nitrogênio no solo e altura de lâmina de água de irrigação. A duração do processo de perfilhamento é de três à quatro semanas.O subperíodo que compreende a emergência ao final de perfilhamento é considerado como período crítico da competição do arroz com plantas daninhas. Neste intervalo, as plantas daninhas devem ser controladas para reduzir ao mínimo a competição por nutrientes e luz com a cultura.As folhas novas são produzidas por um ponto de crescimento o que se situa abaixo do solo até seis a oito semanas após a emergência. Quando a planta diferencia o número total de folhas, ocorre uma mudança rápida e brusca na função do ponto de crescimento que se diferencia numa minúscula panícula. Diz-se que a planta atingiu o estádio de diferenciação do primórdio floral (DPF). Considera-se que nestes estádio a planta concluiu o período vegetativo e está iniciando o período reprodutivo. O número de panículas por planta é determinado no estádio da iniciação da mesma.

1.2. PERÍODO REPRODUTIVO

O Compreende o período entre a DPF e o florescimento. A sua duração varia de três à cinco semanas. A partir da diferenciação, os entre-nós do colmo começam a se alongar rapidamente e a planta cresce a taxas muito elevadas. Este é um período crítico no desenvolvimento da planta, pois está sendo formado o número potencial de óvulos na panícula. É importante que durante este período a planta não sofra nenhum estresse, principalmente de temperatura baixa (inferiores a 17ºC) e de deficiência de nitrogênio. Desta maneira, é importante que se adeqüe a época de semeadura de tal forma que este período de desenvolvimento coincida com o mês que tenha pouca probabilidade de ocorrência de baixas temperaturas.Após a DPF a panícula cresce a taxas elevadas estando envolvida pelas bainhas das folhas. Este período é denominado de emborrachamento.O arroz é uma planta auto-fecundada, com a polinização ocorrendo primeiro na extremidade superior da panícula, seguindo para a base. Ventos quentes, secos ou úmidos afetam seriamente a fecundação dos estigmas, reduzindo o rendimento consideravelmente. Também temperaturas da água e do ar baixas podem causar um efeito similar ao impedir que as flores abram e se polinizem.Por ocasião do florescimento, a planta de arroz atinge sua máxima estatura e área foliar. Durante o período de 20 dias antes a 20 dias após o florescimento condições de plena radiação solar faz com que a planta utilize mais eficientemente o nitrogênio disponível no solo, e conseqüentemente, produza maior rendimento de grãos. Ao final do período reprodutivo está determinado o número de grãos por panícula.

1.3. FORMAÇÃO E ENCHIMENTO DE GRÃOS

O A duração do período que vai do florescimento à maturação fisiológica varia de 30 a 40 dias, em função principalmente das condições de temperatura do ar. Há pouca diferença entre cultivares na duração deste subperíodo. Logo após a formação, os grãos passam pelas fases de grãos leitosos, grãos pastosos e grãos em massa dura até atingirem a maturação fisiológica. Considera-se que o grão atingiu a maturação fisiológica quando está com o máximo acúmulo de matéria seca. Teoricamente, o arroz poderia ser colhido nesta fase, desde que fossem dadas condições para secagem imediata, uma vez que a umidade do grão ainda é elevada, na faixa de 30 a 40%. Normalmente, espera-se que a umidade caia para 23% para se iniciar a colheita mecanizada. Na maturação fisiológica já está determinado o peso dos grãos. Deficiência nutricional ou ocorrência de pragas ou moléstias durante o período de formação e enchimento de grãos refletem-se em menor peso de grãos.


A duração do subperíodo maturação fisiológica a maturação de colheita depende basicamente das condições climáticas vigentes, passando o grão apenas por um processo físico de perda de umidade. Condições de temperatura do ar elevada e umidade relativa do ar baixa, associadas à ocorrência de ventos, aceleram o processo de perda de umidade nos grãos. Após a maturação fisiológica a planta pode levar de uma a duas semanas até atingir condições para ser colhida mecanicamente.